quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Suicídio.


Acabo de presenciar uma tentativa de suicídio e quero descrever com detalhes o que vi.
São 17h14min , está um lindo dia ensolarado e o vento sopra o suficiente para que se torne ainda mais agradável caminhar no centro de
Pois bem. Estou caminhando em frente ao mosteiro São Bento, prestes a dar alguns passos São Paulo.
sobre o Viaduto Santa Ifigênia quando me deparo com um certo aglomerado ao lado esquerdo do viaduto, estavam todos excitados com o acontecimento, que ainda era um enigma para mim.
Chegando um pouco mais perto, ainda sem conseguir visualizar o ocorrido, compreendi do que se tratara. Alguém havia se jogado daquela altura.
Hesitei em olhar para baixo, pois não costumo colecionar más fotografias, porém desta vez fui seduzido de uma forma diferente, como se fosse necessário o gosto do jiló em minhas amídalas.

Lá estava o “Corajoso Rapaz” tinha em torno de 30 anos, usava uma camiseta azul com a logomarca de uma empresa (provavelmente onde trabalhava) e uma calça jeans, seu rosto era familiar, como aquelas pessoas que conhecemos a pouco e achamos que já tínhamos as encontrado em outros carnavais. Tinha uma aparência muito saudável apesar de sua atual situação de súplica.
Ele estava vivo e ao mesmo tempo que se mexia, tentando se erguer somente com a cabeça, estava mudo, com um toque de vermelho exposto em seu buço, um olhar típico de uma incompreensão da dor misturado com medo, franzia a testa como se dissesse um (“por quê?”) a alguém que ele mesmo criara em sua frente a dois palmos de suas aflições.

As pessoas a meu redor banalizavam a situação, dizendo frases como:
- Agora vai dar trabalho para a família... ;
- Viu lá o Super Homem...
Não tenho frases banais ou opinião formada, pois o suicídio e suas tentativas trazem sua frágil complexibilidade, é muito difícil discutir o assunto, pois há pontos sociais e religiosos que transformam o debate em um labirinto.


Pois bem. Deixo claro que fiquei em torno de dez segundos presente neste acontecimento, mas saiba que é o suficiente para que eu o leve para o resto da vida.

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